A questão não é desistir ou não da norma culta. A questão principal, é que seja reconhecida e divulgada a idéia com a qual concordo, de que língua NÃO é gramática. A gramática é apenas uma descrição parcial da língua, e tem seus méritos, mas não pode ser encarada, como de fato o é, como a língua em si. Outra coisa medonha é achar que estamos "destruíndo a língua portuguesa ao escrever e falar 'errado'".Não estamos a destruindo, estamos sim recriando-a. A língua não é algo pronto e acabado, é algo em constante mutação. O que os professores de português devem ensinar não é só a gramática, a norma culta. Eles devem ensinar às crianças a se comunicar nas mais diversas situações e usar a língua, ou melhor, o modo de falar que cabe a cada tipo de situação. Numa palestra de uma universidade,cê não vai falar na norma coloquial, cê vai ter que falar na norma culta. Agora, quando cê tá no ônibus lotado, cê não vai falar "Por favor, será que o/a senhor/a poderia me dar licença?".Cê vai falar "Licença" ou às vezes até mesmo "Cença".Todas essas idéias tão no livro já citado do Marcos Bagno, "Preconceito Lingüístico".Leiam,que é muito bom.E essa idéia de que a língua é algo em constante evolução, e de que não se deve reprender seus falantes já foi reconhecida até pelo mec.Desde 1998, 1999.
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